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Gambling LawTuesday, 11 August 2026 · 2:28pm GMT · 2 min read

Estudo Levanta Novas Preocupações sobre a Dimensão do Mercado Ilegal de Apostas no Brasil

Nova pesquisa identifica uma diferença de R$ 25,6 bilhões entre as perdas estimadas com apostas e os dados oficiais do governo, em linha com estudos anteriores que apontam que operadores não licenciados controlam pelo menos 41% do mercado brasileiro.

BWBeth WoodsEditorial Team
Estudo Levanta Novas Preocupações sobre a Dimensão do Mercado Ilegal de Apostas no Brasil

Novas preocupações surgiram sobre a dimensão do mercado ilegal de apostas no Brasil após uma pesquisa identificar uma diferença de R$ 25,6 bilhões (US$ 5,1 bilhões) entre as perdas estimadas das famílias com apostas e os valores divulgados pelo Ministério da Fazenda.

A terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros estimou que as famílias perderam R$ 62,5 bilhões (US$ 12,5 bilhões) em apostas durante 2025. No entanto, os dados oficiais do Ministério da Fazenda apontaram um total de R$ 36,9 bilhões, deixando uma parcela significativa da atividade estimada sem correspondência nos números do governo.

Embora o estudo não conclua que toda a diferença de R$ 25,6 bilhões tenha sido destinada a operadores ilegais, a discrepância representa aproximadamente 41% da estimativa total — percentual que coincide de forma significativa com pesquisas anteriores sobre o mercado de apostas não licenciadas no Brasil.

Números Refletem Estimativas Anteriores do Mercado Ilegal

Uma pesquisa realizada pela LCA Consultores, de São Paulo, para o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estimou anteriormente que as apostas não licenciadas representam entre 41% e 51% do mercado brasileiro.

A diferença de R$ 25,6 bilhões entre a estimativa de R$ 62,5 bilhões apresentada pelo estudo mais recente e os R$ 36,9 bilhões informados pelo Ministério da Fazenda equivale a cerca de 41% do primeiro valor, colocando a discrepância no limite inferior da faixa estimada pela LCA.

Embora os números não permitam determinar com precisão quanto da atividade de apostas no Brasil ocorre fora do mercado regulamentado, a proximidade entre as estimativas fornece mais um indicativo da possível dimensão do mercado ilegal no país.

O Boletim Fiscal foi elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. As conclusões foram baseadas em informações do Banco Central do Brasil, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (EPAE) e em cálculos realizados pelos pesquisadores.

Atividade de Apostas Associada a R$ 350,97 Bilhões em Transações via Pix

O estudo também constatou que empresas de apostas estiveram associadas a R$ 350,97 bilhões em transações realizadas por meio do Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, durante 2025.

Os pesquisadores estimaram as perdas das famílias com apostas em R$ 62,5 bilhões por meio do cálculo do valor líquido das transações — o montante apostado menos os valores posteriormente devolvidos aos clientes na forma de prêmios.

Segundo o relatório, esse valor correspondeu a aproximadamente 0,68% da renda disponível bruta das famílias brasileiras.

A pesquisa também analisou a movimentação via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026, comparando as transferências efetivamente realizadas por pessoas físicas para empresas dos setores de artes, cultura, esporte e recreação com os volumes estimados de transações em um cenário no qual as mudanças na regulamentação das apostas não tivessem ocorrido.

A diferença entre os dois cenários foi utilizada para estimar o impacto associado à atividade de apostas. No entanto, os pesquisadores ressaltaram que a metodologia representa uma simulação estatística e não demonstra uma relação causal definitiva.

Restrições Produzem Mudança Mensurável nas Transações via Pix

O relatório também identificou alterações nos padrões de transações após a implementação de restrições que impedem beneficiários do programa Bolsa Família de participar de apostas.

Segundo o estudo, o crescimento das transações desacelerou após a introdução da restrição, com os volumes estimados de transferências se aproximando dos valores efetivamente registrados.

Os pesquisadores sugeriram que essa mudança indica que as famílias de menor renda representaram uma parcela relevante da atividade de apostas online no Brasil.

As conclusões surgem enquanto o Brasil continua enfrentando a presença de operadores não licenciados paralelamente ao mercado regulamentado federal. A proximidade entre a diferença de R$ 25,6 bilhões identificada pela nova pesquisa e as estimativas anteriores sobre a participação do mercado ilegal deverá aumentar ainda mais a atenção sobre o volume de apostas realizadas fora do setor licenciado.

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