Estudo Aponta que Instagram Recomenda Operadores de Apostas Ilegais a Usuários Brasileiros
Pesquisa identificou que 84% dos operadores de apostas mais frequentemente recomendados pelo Instagram não tinham autorização para atuar no Brasil.

O sistema de recomendações do Instagram está direcionando usuários brasileiros para operadores de apostas que não possuem autorização para atuar no mercado regulamentado do país, segundo uma nova pesquisa do CondadoLab, da PUC-Rio.
O projeto Rede em Jogo analisou mais de 55 contas no Instagram e comparou as marcas de apostas recomendadas com a lista oficial mantida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Segundo o estudo, publicado pelo The Intercept, 84% dos operadores de apostas mais frequentemente recomendados pelo Instagram não possuíam autorização brasileira.
Os pesquisadores constataram que seguir uma conta relacionada a apostas poderia fazer com que o Instagram recomendasse diversos perfis semelhantes, criando uma rede que inclui operadores, criadores de conteúdo sobre jogos e apostas e contas de mídia.
Operadores Ilegais Ganham Visibilidade por Meio de Recomendações
A pesquisa analisou os 100 perfis exibidos com maior frequência pelo sistema de recomendações do Instagram, que, juntos, possuem mais de seis milhões de seguidores. As contas incluíam operadores de apostas, além de tipsters, traders esportivos, criadores de conteúdo sobre cassinos e veículos relacionados ao setor.
Segundo os pesquisadores, muitas das contas de operadores pertenciam a empresas internacionais de jogos que podem possuir licenças em outras jurisdições, mas não são autorizadas pela SPA a oferecer serviços de apostas no Brasil.
A distinção tornou-se especialmente importante após o lançamento do mercado regulamentado brasileiro, uma vez que apenas operadores com a autorização federal necessária podem direcionar legalmente seus serviços aos consumidores do país.
O estudo também identificou contas utilizando termos associados à regulamentação e ao jogo responsável, incluindo referências ao Conar e ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). Os pesquisadores alertaram que esse tipo de linguagem pode transmitir aos usuários a impressão de que um operador é autorizado, mesmo quando não possui uma licença brasileira válida.
Influenciadores Promovem Apostas como Fonte de Renda
A pesquisa também analisou a atuação de criadores que se apresentam como apostadores profissionais, tipsters ou traders esportivos. Alguns promovem grupos pagos no Telegram, previsões de apostas, ferramentas automatizadas e outros serviços por assinatura, ao mesmo tempo em que apresentam as apostas como uma possível fonte de renda regular.
Segundo o estudo, as técnicas promocionais incluem depoimentos e capturas de tela que supostamente demonstram apostas bem-sucedidas, além de alegações de que os usuários podem obter retornos financeiros significativos seguindo determinadas estratégias.
Práticas semelhantes foram identificadas entre contas focadas em cassinos online, incluindo criadores que promovem jogos como o Tigrinho e afirmam identificar determinados horários ou padrões visuais associados a pagamentos maiores.
Os pesquisadores argumentaram que esse tipo de conteúdo pode dificultar a distinção entre jogos de azar e uma fonte confiável de renda, especialmente quando jogos baseados em sorte são apresentados como atividades nas quais os jogadores poderiam obter vantagens de forma consistente por meio de habilidade ou da identificação de determinados padrões.
Pesquisadores Pedem Maior Fiscalização das Plataformas
As atuais políticas da Meta para publicidade de jogos e apostas exigem que os operadores obtenham aprovação da plataforma, demonstrem possuir a licença adequada para operar e impeçam que os anúncios sejam direcionados a menores de 18 anos.
No entanto, o estudo levantou preocupações sobre o tratamento dado ao conteúdo orgânico relacionado a apostas e sobre o funcionamento do algoritmo de recomendações do Instagram. Os pesquisadores afirmaram que é necessária maior transparência sobre como as licenças são verificadas, como a situação regulatória das empresas é monitorada e como contas que promovem operadores ilegais são identificadas.
A Meta não havia respondido aos pedidos de comentário antes da publicação da pesquisa.
O estudo pediu maior supervisão regulatória envolvendo a SPA e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, incluindo mecanismos tecnológicos e sociais capazes de monitorar e moderar conteúdos relacionados a jogos e apostas.
As conclusões acrescentam uma nova dimensão aos esforços do Brasil para combater o mercado ilegal de apostas. Embora as autoridades tenham bloqueado dezenas de milhares de domínios de jogos não autorizados desde a entrada em vigor da regulamentação, a pesquisa sugere que os sistemas de recomendação das redes sociais podem continuar oferecendo aos operadores ilegais uma importante rota de acesso aos consumidores brasileiros.








