Presidente Lula Intensifica Críticas à Indústria de Apostas no Brasil
Presidente brasileiro volta a defender medidas mais rigorosas contra as apostas online enquanto continua o debate sobre o futuro do mercado regulamentado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou suas críticas à indústria de apostas online no Brasil, questionando se o setor é capaz de apresentar uma justificativa social suficiente para a continuidade de suas operações.
Lula tem relacionado repetidamente as apostas a preocupações envolvendo endividamento das famílias, consumidores mais jovens e trabalhadores de menor renda, classificando as empresas do setor como uma “praga de mentiras”. As declarações aumentam a pressão política sobre uma indústria regulamentada que opera sob o regime federal de licenciamento desde janeiro de 2025.
Lula Questiona Futuro das Apostas Online
Em entrevistas e aparições públicas recentes, Lula indicou que apoiaria o fim das apostas online caso a indústria não consiga demonstrar um benefício social mais amplo. O presidente também caracterizou as apostas como um risco financeiro para os trabalhadores, enquanto continua incorporando o tema à sua agenda mais ampla de emprego e proteção social.
“Se ninguém conseguir me mostrar uma justificativa social para que essas plataformas de apostas continuem, temos que acabar com elas”, afirmou Lula.
O presidente confirmou que seu governo está discutindo possíveis medidas com diversos ministérios, incluindo as pastas responsáveis por Fazenda, Planejamento e Justiça. “Estamos trabalhando com os ministérios para que possamos tomar providências”, acrescentou.
Presidente Reconhece Disputa Política no Congresso
Qualquer tentativa de restringir significativamente ou proibir a indústria regulamentada precisaria enfrentar um amplo debate político no Congresso. Lula reconheceu o desafio e afirmou que o setor de apostas possui uma presença estabelecida de lobby entre os parlamentares.
“Sei que existe um lobby dos jogos no Congresso”, afirmou Lula. “Mas é uma luta que teremos que enfrentar, porque a sociedade não pode ser desestabilizada por algo que podemos controlar.”
O debate ocorre enquanto o setor regulamentado representa uma contribuição cada vez mais significativa para as finanças públicas brasileiras. Os jogos e apostas geraram quase R$ 7,3 bilhões em receitas tributárias federais durante o primeiro semestre de 2026, enquanto a arrecadação se aproximou de R$ 10 bilhões ao longo de 2025, excluindo taxas de concessão e regulatórias.
Dados separados citados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicam que mais de cinco milhões de brasileiros estão atualmente impedidos de utilizar contas de apostas devido às restrições aplicadas no mercado regulamentado.
Preocupações com Mercado Ilegal Acompanham Pedidos por Restrições
Representantes da indústria alertaram que restrições aos operadores licenciados podem aumentar a proporção de apostas realizadas por brasileiros em plataformas não regulamentadas. Pesquisas da LCA e do Instituto Locomotiva estimam que os operadores ilegais representam atualmente entre 38% e 44% do mercado de apostas do país.
Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), argumentou que uma proibição não eliminaria a demanda dos consumidores, mas direcionaria a atividade para operadores que atuam fora do marco regulatório brasileiro.
“Se 40% da população já está nesse mercado hoje, a proibição levará os 60% que apostam em plataformas licenciadas para as ilegais”, afirmou Freire durante um evento da ANJL com o Grupo Globo. Segundo ele, a retirada dos operadores licenciados fortaleceria um mercado ilegal que não está sujeito aos mesmos controles regulatórios.
As posições contrastantes evidenciam o debate cada vez mais intenso em torno do marco regulatório brasileiro das apostas. Enquanto Lula continua concentrando suas críticas nas possíveis consequências sociais e financeiras dos jogos, operadores licenciados e associações da indústria alertam que novas restrições podem prejudicar a canalização para o mercado regulamentado e levar uma parcela maior da atividade para fora do alcance dos reguladores brasileiros.







