CMO da Ana Gaming Afirma que Regulamentação Pode Ajudar Brasil a Diferenciar Operadores Licenciados do Mercado Ilegal
Antonio Guerardi defende o avanço da regulamentação das apostas no Brasil e afirma que publicidade responsável e maior fiscalização podem ajudar consumidores a distinguir marcas licenciadas de operadores não regulamentados.

Antonio Guerardi, CMO da Ana Gaming, defendeu o avanço das regulamentações sobre apostas no Brasil, argumentando que uma fiscalização mais rigorosa pode ajudar os operadores licenciados a se diferenciarem das empresas que continuam oferecendo serviços ilegalmente aos consumidores.
Durante a Rio Innovation Week 2026, Guerardi rejeitou a ideia de que as novas regras e portarias federais devam necessariamente ser consideradas restrições à indústria regulamentada.
Segundo o executivo, as exigências regulatórias em áreas como publicidade e proteção ao consumidor devem fazer parte das condições para que empresas licenciadas de apostas possam operar no Brasil.
Guerardi, cuja empresa Ana Gaming opera a marca 7K Bet, abordou o tema durante um painel dedicado às oportunidades e aos desafios enfrentados pelas empresas de apostas no mercado brasileiro.
“O Brasil fez em dois anos o que outros mercados levaram uma década para fazer: tirou as apostas de uma zona cinzenta e construiu um mercado regulamentado, supervisionado e com regras claras para a proteção dos jogadores”, afirmou Guerardi.
“Para nós, isso não é uma restrição; é uma condição para operar. A publicidade responsável informa o consumidor e diferencia quem atua com licença daqueles que operam sem qualquer fiscalização.”
Credibilidade é Fundamental para o Patrocínio Esportivo
Guerardi também abordou a relação entre operadores de apostas e o esporte brasileiro, argumentando que os acordos de patrocínio devem ser encarados como investimentos de longo prazo, e não simplesmente como oportunidades para maximizar a exposição das marcas.
“Na nossa visão, o patrocínio esportivo não é apenas uma forma de mídia oportunista; é uma relação de longo prazo com o torcedor, construída com dados, escuta e respeito”, afirmou.
“O setor será julgado menos pelo tamanho dos contratos e mais pela credibilidade que os sustenta.”
As declarações acontecem enquanto o Brasil continua reforçando as exigências publicitárias e operacionais aplicáveis aos operadores licenciados, ao mesmo tempo em que tenta combater o número significativo de plataformas de apostas offshore que continuam atendendo consumidores brasileiros sem autorização federal.
Guerardi afirmou que uma discussão pública mais ampla sobre a indústria regulamentada também será importante à medida que o mercado se desenvolve, especialmente diante do estigma que ainda existe em torno das apostas e dos jogos online.
“A Rio Innovation Week é uma conferência global amplamente respeitada, e a iniciativa de abrir espaço para uma conversa sobre o nosso mercado é muito positiva”, afirmou.
“As apostas esportivas e os jogos online fazem parte da cultura brasileira e, apesar de serem operações legalizadas e regulamentadas, ainda enfrentam um estigma significativo.
“Debates como este são importantes porque nos permitem apresentar uma visão mais aprofundada sobre o setor, desfazer mitos e contribuir para uma compreensão mais equilibrada dos impactos econômicos, sociais e tecnológicos que essa indústria gera para o país.”
Mercado Regulamentado Alcançou 25,2 Milhões de Jogadores em 2025
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e do Ministério da Fazenda mostram que 25,2 milhões de brasileiros utilizaram plataformas de apostas autorizadas pelo governo federal durante 2025.
O mercado regulamentado gerou aproximadamente R$ 37 bilhões em receita bruta de jogos (GGR), além de R$ 8,8 bilhões em receitas tributárias federais.
Projeções separadas do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) estimam que o setor sustenta aproximadamente 15,5 mil empregos diretos e indiretos.
O combate ao mercado ilegal também representa uma parte significativa dos esforços regulatórios do Brasil. A SPA e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) têm trabalhado em conjunto para restringir o acesso a operadores não autorizados, resultando no bloqueio de mais de 25 mil sites durante o primeiro ano de regulamentação.
O debate na Rio Innovation Week foi mediado por Felipe Lobo, do Sport Insider, e também contou com a participação de Álvaro Garcia, CMO da Flutter Brazil, e Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais da Betano Brasil.
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