Gambling LawMonday, 19 October 2026 · 11:49 GMT · 2 min read

Clubes Brasileiros Protestam Contra Proibição das Apostas e Alertam para Perda de Receitas de Patrocínio

São Paulo e Flamengo participaram de uma nova campanha contra as restrições às apostas no Brasil, enquanto clubes alertam para perdas financeiras e crescimento do mercado ilegal.

FRFelipe RochaEditorial Assistant
Clubes Brasileiros Protestam Contra Proibição das Apostas e Alertam para Perda de Receitas de Patrocínio

Clubes de futebol brasileiros realizaram novos protestos contra a proibição das apostas durante a última rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, em meio a preocupações crescentes sobre as consequências financeiras para as equipes e a possível expansão do mercado ilegal de jogos.

As manifestações fizeram parte da campanha “Proibir Não É Proteger”, organizada pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que se opõem à Medida Provisória 1.394/2026.

Durante o fim de semana de 17 e 18 de outubro, São Paulo e Flamengo exibiram a mensagem da campanha em suas camisas, enquanto placas publicitárias em dez partidas do Campeonato Brasileiro apresentaram frases questionando a decisão do governo.

Os protestos ocorreram após a retirada das marcas de patrocinadores de apostas das camisas de diversos clubes. Representantes da indústria argumentam que as restrições ameaçam as finanças do futebol sem reduzir a demanda dos consumidores por apostas.

São Paulo e Flamengo Apoiam Campanha da Indústria de Apostas

O São Paulo exibiu a mensagem de protesto durante a partida de sábado contra o Vasco da Gama, enquanto o Flamengo apoiou a iniciativa no confronto de domingo contra o Bahia.

As placas publicitárias dos estádios também apresentaram mensagens da campanha complementar “Aposto Que Você Não Sabia”, incluindo “Proteção de Verdade Começa com Regras”, “O Brasil Proibiu e o Mercado Ilegal Invadiu” e “Regulamentar É Proteger”.

A iniciativa busca destacar as possíveis consequências da proibição das apostas regulamentadas, especialmente a perda de mecanismos de proteção aos consumidores, arrecadação tributária e ferramentas utilizadas para monitorar atividades suspeitas relacionadas às apostas.

O CEO do IBJR, Carlos Lima, argumentou que as restrições criaram oportunidades para operadores não licenciados, em vez de eliminar a demanda por apostas.

“A proibição não fez a demanda por apostas desaparecer. A proibição abriu espaço para o mercado ilegal, retirou proteções de quem aposta e enfraqueceu os mecanismos de monitoramento e combate à manipulação de resultados esportivos”, afirmou Lima.

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, também criticou a medida, alertando que os apostadores continuam expostos a sites ilegais que operam fora do marco regulatório brasileiro.

Proibição de Patrocínios de Apostas Ameaça Receitas dos Clubes

Os protestos ocorreram em meio a mudanças significativas nos contratos de patrocínio do futebol brasileiro, com empresas de apostas anteriormente ocupando posições de destaque nas camisas de diversos clubes da Série A.

Segundo um levantamento divulgado pelo Poder360, sete dos 14 clubes que tinham operadores de apostas como patrocinadores principais passaram a jogar sem uma marca substituta no espaço de maior destaque de suas camisas após as restrições.

Bahia, Cruzeiro, Grêmio, Vitória, Palmeiras, Chapecoense e Atlético Mineiro estavam entre os clubes afetados, enquanto outras equipes conseguiram acordos comerciais temporários ou utilizaram o espaço disponível para promover seus programas de sócios-torcedores.

As consequências financeiras podem ser significativas. Uma pesquisa da Sports Value indicou que as empresas de apostas contribuíram com aproximadamente R$ 1,1 bilhão dos R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing geradas pelos 20 maiores clubes brasileiros durante 2025, representando cerca de 34% do total.

Corinthians e Santos estavam entre os clubes que apresentaram patrocinadores substitutos, enquanto Botafogo e Vasco promoveram seus respectivos programas de sócios-torcedores. São Paulo e Fluminense também substituíram a marca Superbet pela Superscore.

Os números demonstram a importância dos patrocínios de apostas para o futebol brasileiro, embora o impacto financeiro definitivo dependa dos novos acordos comerciais e dos resultados das contestações judiciais em andamento.

Associações de Apostas Contestam Proibição no STF

O IBJR e a ANJL contestaram a medida provisória no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a suspensão das restrições enquanto sua legalidade é analisada.

Diversos clubes de futebol e empresas de comunicação também recorreram à Justiça, argumentando que as medidas interferem em contratos comerciais existentes e criam incertezas para a indústria esportiva.

O Flamengo já havia tentado obter uma liminar contra as restrições, enquanto outros clubes solicitaram prazo adicional para adaptar seus contratos de patrocínio.

Os representantes jurídicos do governo defenderam a manutenção da medida, com a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitando uma análise mais aprofundada das questões antes de uma decisão judicial definitiva.

Enquanto isso, o IBJR e a ANJL continuam defendendo que um mercado regulamentado de apostas oferece mecanismos mais eficazes de proteção contra os danos associados aos jogos, lavagem de dinheiro e manipulação de resultados esportivos do que uma proibição completa.

As manifestações do fim de semana levaram essas preocupações novamente aos estádios brasileiros, ampliando a visibilidade pública da disputa enquanto clubes, operadores e associações da indústria aguardam novos desdobramentos no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal.

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