Lula Critica Indústria de Apostas na ONU Enquanto Brasil Avalia Novas Restrições à Publicidade
Presidente brasileiro intensificou suas críticas às apostas online durante discurso na ONU, enquanto o governo avalia medidas que vão desde regras mais rígidas para publicidade até restrições mais amplas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou suas críticas à indústria de apostas online ao utilizar seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para condenar o modelo de negócios do setor.
Durante seu pronunciamento em 22 de setembro, Lula relacionou a expansão das apostas online aos danos associados aos jogos e ao endividamento das famílias, afirmando que o Brasil não aceitará o modelo atual.
“A indústria bilionária das apostas transforma vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares. O Brasil não tolerará esse modelo de negócio”, afirmou Lula.
As declarações representam uma nova escalada na oposição pública do presidente às apostas, mas o alcance de eventuais novas restrições ainda não foi definido.
Reportagens da imprensa brasileira indicam que o governo avalia diferentes alternativas para uma medida provisória, que vão desde controles mais rígidos sobre a publicidade até restrições aos jogos de cassino online ou, no cenário mais abrangente, uma proibição mais ampla das apostas digitais.
Lula Intensifica Críticas ao Setor de Apostas
Lula abordou as apostas ao falar sobre tecnologia, proteção dos consumidores e a necessidade de maior supervisão dos negócios digitais durante seu discurso na ONU.
As declarações ocorrem após comentários igualmente contundentes feitos durante um evento político em Guarulhos, em 18 de setembro, quando afirmou que, se a decisão dependesse exclusivamente dele, acabaria com as apostas online no Brasil.
O presidente tem relacionado cada vez mais os jogos de azar a preocupações com dependência e finanças das famílias, enquanto seu governo avalia novas intervenções em um mercado que passou a operar sob regulamentação federal plena em janeiro de 2025.
No entanto, a posição pessoal de Lula não significa que uma proibição tenha sido acordada pelo governo.
Informações divulgadas no Brasil indicam que autoridades avaliam diferentes alternativas, incluindo restrições adicionais à publicidade de apostas.
Uma segunda possibilidade combinaria regras publicitárias mais rígidas com restrições aos produtos de cassino online, enquanto a proposta mais abrangente proibiria as apostas digitais de forma mais ampla.
Publicidade Pode Ser Foco de Medida Provisória
Uma medida menos abrangente, concentrada na publicidade, permitiria que operadores autorizados em âmbito federal continuassem oferecendo apostas regulamentadas, mas estabeleceria novos limites sobre a forma como seus produtos podem ser promovidos.
O Brasil já introduziu exigências adicionais para a publicidade em julho, por meio de uma portaria interministerial sobre marketing, comunicação e ofertas de apostas de quota fixa, incluindo proteções destinadas a impedir que a publicidade de jogos e apostas seja direcionada a crianças e adolescentes.
Novas restrições, portanto, seriam acrescentadas a um marco publicitário que já foi reforçado ao longo de 2026.
Outra alternativa que estaria em análise iria além, retirando os produtos de cassino online do mercado regulamentado enquanto preservaria as apostas esportivas.
Essa diferenciação teria implicações significativas para os operadores licenciados, uma vez que os jogos de cassino online representam uma parcela relevante das receitas geradas pelas empresas que atuam no mercado regulamentado brasileiro.
Governo Avalia Consequências Mais Amplas das Restrições
O debate ocorre em meio a preocupações sobre as consequências jurídicas e econômicas de uma mudança substancial no marco regulatório menos de dois anos após o lançamento do mercado licenciado.
Os operadores pagaram R$ 30 milhões por autorizações federais válidas por cinco anos e realizaram investimentos adicionais para cumprir exigências relacionadas a áreas como tecnologia, jogo responsável, prevenção à lavagem de dinheiro e operações locais.
Associações da indústria alertaram que a retirada de produtos atualmente autorizados poderia provocar contestações judiciais, enquanto clubes de futebol e outras organizações manifestaram preocupação com o possível impacto sobre as receitas de patrocínio.
Restrições à publicidade também afetariam diretamente as relações das empresas de apostas com o futebol brasileiro, veículos de comunicação e outros parceiros comerciais, sem necessariamente encerrar a atividade regulamentada.
O governo, portanto, avalia a posição pública cada vez mais crítica de Lula em conjunto com questões relacionadas às licenças existentes, arrecadação tributária, contratos de patrocínio, proteção dos consumidores e presença contínua de plataformas ilegais de jogos.
Nenhuma versão definitiva da medida provisória foi confirmada. Até que o governo anuncie formalmente sua decisão, o endurecimento das regras de publicidade, as restrições aos jogos de cassino online e medidas mais amplas contra as apostas digitais permanecem como possibilidades, e não como políticas já implementadas.








